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Not Alone

Theoden: So much death. What can men do against such reckless hate?
Aragorn: Ride out with me. Ride out and meet them.
Theoden: For death and glory.
Aragorn: For Rohan. For your people.

Gandalf: Look to my coming, at first light, on the fifth day. At dawn, look to the East.”

Theoden: The Horn of Helm Hammerhand will sound in the deep, one last time!
Theoden: Let this be the hour when we draw swords together. Fell deeds awake.
Theoden: Now for wrath, now for ruin, and the red dawn.
Theoden: Forth, Eorlingas!

Gandalf: Theoden king stands alone.
Eomer: Not Alone. Rohirrim!
Eomer: TO THE KING!

Leituras 2013 (000/365)

library-books

Eu sou fascinado por leitura. Quem me conhece sabe disso e sabe que eu tenho uma pá de livros, revistas mangás e gibis. Mas fazia muito tempo que eu andava enferrujado com a leitura.

Durante os últimos dois anos, mais ou menos, li alguns livros (uns 4 por ano) e uns HQs aqui e acolá. Nada demais.

Isso mudou um pouco de agosto para cá, quando comprei um tablet. Voltei a ler HQs direto, e estou me divertindo muito com isso. O tablet também me ajudou a voltar com os livros e revistas e estou fazendo bons progressos aqui também.

Na semana passada, li em um texto do Gizmodo sobre um cara que conseguiu ler um livro a cada dia do ano. O artigo está aqui  http://www.gizmodo.com.br/um-livro-por-dia/

A lista dos livros que ele leu está aqui: https://docs.google.com/spreadsheet/pub?hl=en&hl=en&key=0AlyRPi7QtB0PdDJIUDBKVGItQ1ozWExOTENSeVgtbkE&output=html

Olhando para ela, eu fiquei animado ao ver HQs ali. No site dele ele explica sobre as HQs

Here’s another not-so-shameful secret: capes. Superheroes have saved me so many times I might as well be Lois Lane. I can start and finish a six-issue collection of Captain America or Green Lantern comics in less than an hour. That’s a book, or at least it is under my definition of “something printed that cost about $20.

Resumindo: Se é um pacote com mais de 6 edições (+/- 100 paginas) ele considerou um livro. Sei que os puritanos vão torcer o nariz, mas continua sendo leitura, em outra midia.

Em 2002 eu e outros bons amigos fizemos o que eu chamo de curso intensivo de expansão cerebral. Ou “Ler 50 livros no ano”. Não, não tinhamos HQs, nem livros pipoca. Eram 50 titulos entre Maquiavel, Trotsky, Descartes, Orwell e por aí vai. Lembro muito bem que meu arquivo txt de controle chamava-se “Lista de Leitura para 2002.txt”.

Infelizmente essa lista de livros se perdeu com o tempo, mas eu lembro que não li os 50. Li 48. Não consegui terminar o Republica do Platão e nem o Divina Comédia do Dante. Esse ultimo, inclusive, continua na minha lista de livros para ler um dia, firme e forte há mais de 10 anos.

Lendo esse artigo do Gizmodo eu fiquei me perguntando se eu consigo novamente. Será que dá?

Ok, vamos nos meter numa Quest então. Já que não temos mais nada para fazer mesmo, né?  😛

Então as Regras são:

 

1) Valem Livros. Quaisquer livros. Com mais de 30 páginas.

2) Valem livros técnicos também. Poxa, o meu livro de Hardware tem mais de 1000 páginas :O

3) Valem Gibis e HQs, desde que mais de 100 páginas. Em caso de menos de 100 páginas só contará como missão cumprida edições acumuladas até o numero alvo. Exemplo: 5 edições do Lobo (20 páginas cada) contam como um dia de leitura.

4) Posso ler alguns livros ao mesmo tempo e completar os dias depois.

5) Tenho que cumprir a meta de uma unidade por dia.

 

E chega de regras, senão eu vou me sabotar, eu me conheço.

Torçam por mim.

Classic 94′

Recapitulando (para vcs relerem):

 Vocês já souberam o caso de como eu descobri a música sem nome, da Banda sem nome.

Vocês também já souberam sobre eu ter uma fita gravada com 3 músicas em Loop.

Vocês também já devem ter uma ideia de como eu sou ligado nessas paradas musicais.

  Pois bem. Vamos a outro post clássico agora…

 

Alguns anos atrás, numa fúria tecnológica – que volta e meia me dá – joguei todas as minhas fitas K7 fora.

Isso mesmo, a caixa toda. No lixo.

Os CDs e Mp3 já estavam bem crescidinhos, eu já tinha (se não tudo) quase tudo em mp3 e não valia a pena guardar velharias. Peguei a caixa toda de fitas K7 e joguei fora. Sem dó.

Mas claro que algumas coisas se perdem. E eu perdi a versão original da música sem nome, da banda sem nome. Aquela midi, mono e terrível. Na verdade, eu perdi o meu K7 numero 1, que se clamava Classic94′ (era isso o que estava escrito no label da fita), que era onde estava gravado a música sem nome.

Lembro-me que durante alguns anos a nº 1 foi a fita mais ouvida. Disputava com alguns CDs, com uma fita de game musics e com uma fita de músicas “ouro verde FM easy” que eu ouvia quando ia dormir, mas a Classic94′ era sempre a campeã. Seria a campeã do meu Last.FM disparada (se tivesse isso na época).

Fuçando nas minhas velharias tive uma grata surpresa: Achei um rascunho da playlist da nº1, escrita em um caderno.

Tendo a lista de músicas, óbvio que eu remontei a playlist. E aqui está.

 

LADO A

01.Freedy Mercury – Living on my own

02.Kenny Loggins – Danger Zone

03.Kenny Loggins – Footlose

04.Glenn Frey – The Heat Is On

05.Huey Lewis and the News – The Power Of Love

06.Joy Salinas – People Talk

07.4 Non Blondes – What’s Up

 

LADO B

01.Scatman – Scatman

02.Hope – Tree Frog

03.Rock and Roll Racing in concert

04.MUSICA SEM NOME

05.Oingo Boingo – Stay

06.Oingo Boingo – Weird Science

 

Ouvi todas, mas ainda não estava feliz. Lembro que algumas músicas eram diferentes, versões remix, talvez.  Quando as músicas eram gravadas das Radios (e numa época sem internet) já era difícil saber o nome de uma música. Quem dirá saber se era versão remix e/ou o nome do Remix dela.

Então comecei a caça. Foram algumas semanas baixando e ouvindo diversas versões das músicas suspeitas. A surpresa desse post é que acredito que encontrei não uma, mas todas as versões corretas (que minha memória permite lembrar).

Então, amigos, apresento-lhes a playlist corrigida da Classic 94′.

 

LADO A

01.Freedy Mercury – Living on my own (No More Brothers extended Mix)

02.Kenny Loggins – Danger Zone

03.Kenny Loggins – Footlose

04.Glenn Frey – The Heat Is On

05.Huey Lewis and the News – The Power Of Love

06.Joy Salinas – People Talk (Road Club mix)

07.4 Non Blondes – What’s Up

 

LADO B

01. Scatman – Scatman (Extended Radio Version)

02.Hope – Tree Frog

03. Henry Mancini – Peter Gunn

04.MUSICA SEM NOME

05.Oingo Boingo – Stay

06.Oingo Boingo – Weird Science

 

Por motivos históricos, a musica sem nome continuará assim. Se vc quiser saber qual é ela, terá que ler o outro post

 

E a verdadeira surpresa desse post é que eu trago a versão da música sem nome numa midi, mono e com som baixo. Ouvi dezenas de versões dela e arrisco dizer que era ESSA a versão que eu ouvia.

Então aqui está a recompilação da Classic’94 . Mais clássico que isso só colocando chiado de gravação K7 e locutor cortando as musicas no final.

 

Baixem aí \o/

 

http://www.mediafire.com/?v6cij66h3m2irle

Casa do Kame

Me lembra mais a Casa do Inhame. Essa sim era divertida. Bons tempos, bons tempos.

A música sem nome, da Banda sem Nome.

Tudo começou numa tade de 1994.

Um antigo amigo me mostrou uma fita K7 com uma música muito boa, que, de cara, eu adorei. Quando perguntei qual o nome da banda, esse amigo não sabia. Tinha roubado a fita do irmão dele, e tentaria depois descobrir o nome. Fiz um cópia daquela música instrumental e volta e meia acabava ouvindo, mas aquele amigo nunca me contou o nome. Tinha levado uns bofetes do irmão por ter mexido onde não devia e não tivera coragem de perguntar.

Então eu segui por alguns anos, ouvindo aquela música, aquela mesma música diversas vezes, da “banda sem nome”.E era uma gravação ruim, meio midi, mono e com volume baixo. Mas mesmo assim eu seguia ouvindo (sempre gostei de midis).

Até que um belo dia eu estava andando dentro de uma loja de CDs, quando começou a tocar dentro da loja uma música legal, pesadona. Um rockão foda. E para minha surpresa, eu comecei a cantar no modo nã-nã-nã a música. Foi aí que eu percebi: Estava tocando aquela música que eu ouvi durante anos, da “banda sem nome”.

Sem pensar duas vezes, corri do lado de fora da loja, desesperadamente arrastei o atendente para dentro e disse para ele: Quero o CD que tem essa música aí!. Ele começou a rir do meu desespero e foi atrás do disco. Voltou com um disco estranho, sem nome na capa. Na verdade, na capa não havia nada. Somente preto preto e mais preto. Quando perguntei o nome do disco ele disse: Black Album. E eu duvidei, porque não tinha escrito isso no encarte. Na verdade, na capa havia uma cobra e um nome meio borrado. Mas só isso.

Aquele dia quando cheguei em casa, botei o disco para tocar. Lembro até hoje. E, logo na primeira música eu já tava quase tendo um treco. A primeira música era a música da “banda sem nome”. Aprendi então que se chamava Enter Sandman, e a “banda sem nome” tinha nome, e se chama Metallica.

Ouvi o CD todo, direto. Não acreditava naquilo, o disco não tinha nenhuma musica chata. Nunca tinha acontecido isso comigo. Quase nunca acontece hoje ainda: Eu gostar de um disco inteiro, já na primeira escutada. Geralmente leva alguns dias para que eu absorva tudo e passe a realmente gostar de um disco. Mas com aquele não. Eu adorei logo de cara.

Incrivel como aquele dia ficou grudado na minha memória. Lembro de ter ouvido CD com fones de ouvido direto no CDPlayer, lembro de ter lido as letras, ter ouvido o CD novamente, ter visto um episódio do Tin Tin (aquele do ônibus espacial), de ter gravado uma fita K7 com as três músicas que eu achei mais legais (Enter Sandman, Unforgiven e Nothing Else Matters) e ter ido dormir.  Lembro até com o que eu sonhei, mas isso não é da conta de vocês 😛

Quem diria que anos depois eu estaria numa festa de Garagem, cantando essa música junto com um grande amigo (lembra, rck?). Quem diria que anos depois seria eu que estaria em cima de um palco tocando essa música. E quem diria mais ainda, que eu veria os caras ali, ao vivo, tocando essa música!  Me desculpem todos os outros, mas essa foi para mim. Eu sei que foi.

Com vocês, a música sem nome da banda sem nome Enter Sandman, do Metallica.

[youtube K2jfV1DzcuQ]

Say your prayers little one
Don`t forget my son
To include everyone
I tuck you in
walk within
Keep you free from sin
‘til the sandman he comes

Sleep with one eye open
Gripping your pillow tight

Exit light
Enter night
Take my hand
We’re off to never never-land

Something’s wrong, shut the light
Heavy thoughts tonight
And they aren’t of Snow White
Dreams of war
Dreams of liars
Dreams of dragons fire
And of things that will bite, yeah

Sleep with one eye open
Gripping your pillow tight

Exit light
Enter night
take my hand
We’re off to never never-land

(whisper)
Now I lay me down to sleep (x2)
Pray the lord my soul to keep (x2)
If I die before I wake (x2)
Pray the lord my soul to take (x2)

Hush little baby don’t say a word
And never mind that noise you heard
It’s just the beasts under your bed
In your closet and in your head

Exit light
Enter night
Grain of sand

Exit light
Enter Night
Take my hand!
We’re off to never never-land

Yeah, ha ha ha

Boom

Yeah, yeah
oh, whoa

We’re off to never never-land

Take my hand
We’re off to never never-land
Take my hand
We’re off to never never-land

We’re off to never never-land

Isso aqui é faroeste, amiguinho!

O tempo urge. Jogo a chave do nosso Ford Taurus quinta geração para o Agiota. Penso em pegar meu furador de papel paraguaio, mas desisto. Os cães parecem estar empolgados. Tybalt dirige como um louco. Problematizo sobre quantos caras vamos enfrentar dentro do pub, mas temos quatro pares de supra-renais eufóricas que darão conta do recado. Adentramos no bairro de recreação, permeado por delinqüentes da burguesia remediada. Mas a brincadeira revigorante de surrar pós-adolescentes agora não me interessa, as próximas horas estão reservadas para o ninho do Águia Dourada. Um nome celta que não ouso pronunciar desponta à uma quadra à nossa direita. Teobaldo estaciona bem na frente, onde é proibido. A fachada irlandesa é de uma horrível cor-de-abóbora. OTAN sai primeiro e fica mais perto do carro; Porpeta é o mais apressado e vai à frente de todos, o braço esquerdo esticado com o distintivo na mão, aborrecendo com sua retórica parnasiana o único segurança estacado na porta.

– Vou entrar nesse púbis! Torce o bico pra tua mãe!

– Infelizm…

Agiota desloca o queixo do segurança com uma cotovelada. Porpeta abre a porta com um pontapé; rapidamente, OTAN e eu entramos com nossas Colts 8 polegadas com o intuito de render alguém que pareça ser um funcionário. A casa não está muito cheia, apenas algumas mesas estão vazias. Uma música alegre com gaita de fole permeia o fundo. Andamos até o caixa, uma jovem ruiva vestida de verde levanta as duas mãos para o ar.

– Pode levar o dinheiro! – ela diz, assustada.

– Cadê o gerente? – OTAN é um cara calmo, eficiente e aculturado. – Você tem 5 segundos antes que eu encarne um fomoriano e coloque esse bareco abaixo!

– Aqui atrás! Não me mate!

Tybalt cuida da entrada enquanto Porpeta retira as pessoas do bar a seu modo. Eu e OTAN andamos por um breve corredor parcamente iluminado, passamos pelos banheiros até uma escada no fim do corredor. Olhamos para cima. Um sujeito alto, caucasiano louro e com um terno cinza-chumbo nos aguarda lá em cima, apontando uma Desert Eagle em nossa direção. É o Águia, e ele está preparando sua caça. Tenho a leve impressão que o tenhamos subestimado

Papo Volvos é uma série de Histórias que beiram um estilo policial noir, daqueles filmes clássicos que ninguém faz mais. É violento, descritivo, cheio de personagens marcantes de nomes estilosos e mostra uma faceta da lei que todos sabem que existe, mas poucos admitem.

Policiais (ou não) durões, abrindo caminho no meio de intrigas e ciladas usando nada mais do que socos, pontapés e um bom tiro de .380, a equipe de Papo – Papo, OTAN, Agiota e Porpeta – roda pela cidade em um Ford Taurus nas horas em que os bons moços estão dormindo e os bordéis estão cheios de adolescentes de classe média e desempregados deprimentes.

Para quem gosta do estilo é viciante. Leia mais no site Papo Volvos e veja ser escrito aos poucos, o que vai se tornar um Grande Livro.

The sun will shine

[youtube kcB6SgkG4AE]

Metallica The Day That Never Comes

Born to push you around
Better just stay down
You put away,
He hits the flesh,
You hit the ground

Mouth so full of lies
Tend to block your eyes
Just keep them closed,
Keep praying, just keep waiting

Waiting for the one,
The day that never comes,
When you stand up and feel the warmth
But the sunshine never comes, no

No, the sunshine never comes

Pushed you across that line
Just stay down this time
Hide in yourself,
Crawl in yourself,
You’ll have your time

God I’ll make them pay
Take you back one day
I’ll end this day
I’ll splatter color on this grey

Waiting for the one,
The day that never comes
When you stand up and feel the warmth
But the sunshine never comes

Love is a four letter word,
And never spoken here
Love is a four letter word
Here in this prison

I suffer this no longer,
I’ll put an end to,
This I swear, This I swear

The sun will shine
This I swear, This I swear,
This I swear

Música do CD novo, que “oficialmente” sai na sexta, dia 12.  Essa música saiu no site da banda não tem nem um mês e já caiu na minha lista de Top10 do Metallica.

Engraçado como é a vida. Metallica foi trilha sonora de uma boa parte da minha adolescência. Amigos meus, que me criticavam por ser uma banda de rock “pesado” e supostamente “satanista” (apesar de que você não vê nenhuma referência a isso nas letras deles) hoje eu pego ouvindo Metallica.

Engraçado como que num momento desses, o que faltava era uma trilha sonora forte, pesada e agressiva. Bem, não falta mais 🙂

Vejam o video e ouçam a música para ver como é possível fazer uma ‘balada’ totalmente heavy metal.

Destino: Eisenbahn, Blumenau

(trecho do diário de bordo do oficial imediato)


[Isso foi o mais próximo que chegamos de uma donzela alemã.]

Cheguei ao ponto de encontro, a casa do navegador, um pouco atrasado —o imediato pode se dar a esses luxos—, mestre timoneiro já estava lá, a postos. Boa tripulação. Tomamos um café da manhã servido pela dona Eliani e, depois das recomendações de boa viagem, nos lançamos à estrada.

— Com mil diabos, seus porcos de água doce! Os mapas!

Voltei correndo e tomei as cartas. Entreguei-as na mão do navegador, o sujeito certo para o serviço. Agora estávamos prontos: o timoneiro no comando de sua nau azul, o navegador ao lado, com as cartas náuticas e eu —na falta do capitão— lá atrás, na popa, estirado na cabine dos oficiais. Agora, sim, hora de partir, “bring me that horizon!”

Cruzamos as milhas sem problemas, mestre timoneiro é bom no que faz. O mestre navegador indicou-nos um outro caminho, que aprendeu de seu pai, velho lobo do mar, e acatamos a sugestão.

Vendo a quantidade de cemitérios na estrada, mestre navegador animou-se diante da possibilidade de conseguir uma boa disputa:

— Ô lugar para ter cemitério! Deve haver um bocado de brigas quentes por aqui!

Fomos entrando na cidade e nada de briga. Nada de hordas germânicas furiosas. Nada de donzelas loiras. Nada de construções típicas. Nada de nada. Lugarzinho entediante. Chegamos a pensar que erramos de lugarejo.

Seguimos as placas até a Vila Germânica, onde, agora sim!, encontraríamos donzelas alemãs loiras e ávidas por forasteiros. Nada. Desembarcamos prontos para um quebra-pau com uma horda de bárbaros alemães. Nada. Silêncio. Bola de feno rolando no meio das casinhas de boneca. Devem estar todos escondidos, preparando uma cilada, os sodomitas. Ficamos de prontidão. E onde diabos se meteram as belezinhas do lugar?

Só nessa hora foi que vimos algo de alemâo: uma meia dúzia de lojinhas apertadas com florzinhas na janela e canecos e mais canecos de porcelana para vender. É mais ou menos como o Bar do Alemão, só que ao céu aberto. Toca o tempo todo a mesma música. Boa melodia para se ouvir balançando uma caneca de chopp.


[O navegador testa sua próxima máquina. Born to be wild.]

Como bons cavalheiros, almoçamos num restaurante de classe, que abocanhou uns bons dobrões de ouro. Comemos feito gente grande. Carne, muita carne e especialidades locais: joelho de porco, chucrute, marreco, salsichão. São bons em fazer comida de pirata, os alemães. E mestre timoneiro achou melhor não abusar da picanha ao molho de pimenta.

No parque ao lado, uma festa de motos. Paramos, mestre timoneiro fez uns tests-drives, nada muito empolgante. Definitivamente, ele fica melhor na sua moto preta de bandido.

Sem mais delongas, desistimos de procurar donzelas alemãs e fomos atrás do nosso objetivo de verdade.


[Estilo: ou você tem ou você não tem.]

Rodamos pela cidadezinha como cães caídos do caminhão de mudança. Mestre navegador e mestre timoneiro usaram todas as suas habilidades, mas não adiantou: os malditos bastardos do lugar não sabem como construir umas ruas decentes. Além de não saberem dizer onde fica nada, os sodomitas têm um sotaque de pederastas terrível, pelos ossos do demônio! Melhor desistir de pedir ajuda. Acabamos achando por nós mesmos.

No final de uma curva, chegamos ao X do mapa: avistamos a bombordo a fábrica de cerveja. Ahoy! Mestre timoneiro fez uma manobra ousada e lançamos âncora no estacionamento.


[Bom bar, lugar de família.]

Um sujeito troncudo, aparentemente o chefe do lugar, nos recebeu na entrada da taverna. Como bons cavalheiros, começamos apurando o paladar com um menu degustação, quatro tipos de chope.

No balcão uma alemã —agora sim!— trabalhava para servir os clientes. Bochechas rosadas, cabelo loiro trançado, seios fartos, braços fortes, tudo em fartura. Uma autêntica germânica, a única que vimos na viagem. Apelidei a belezinha de Helga.

Uma outra mocinha veio nos avisar que era hora de visitarmos a fábrica. Conosco entraram um casal de gor…, digo, com ossos largos e uma comitiva de alemães, liderada por um tiozinho que tinha, por baixo, uns sessenta anos só de chopp.


[Boa cerveja!]

Explicações feitas, cervejas demonstradas, provamos os maltes —tão ruins como a comida do navio— e entramos no meio dos barris da fábrica. Mestre navegador garantiu-nos que consegue instalar algo parecido no porão de nosso navio. Não seria nada mau, chopp fresco para a tripulação. É um processo simples, que os sujeitos do lugar fazem muito bem. Deve-se apreciar um serviço bem feito.

No final, a menina tirou do barril um chopp para cada um de nós. Boa garota. Bom chopp. Lá no canto, o casal de entroncadinhos brindava com um gesto que eu não ousaria fazer diante da minha santa mãezinha.

— Saúde, dinheiro e… sacanagem!

Brindaram umas cinco vezes, e a cada vez a gordinha piscava para o maridão. Deve ter um fogo difícil de apagar, a safada.


[Mestre timoneiro aprova a cerveja!]

Antes de voltarmos para o saloon, o tiozinho censurou a moça por não fazer nenhuma explicação em alemão, analisou o barril —3500 litros— com seus olhos de lobo do mar germânico, fez as contas e afirmou, com a categoria de quem já viu muito chope na vida:

— É, esse tanto aí acho que deve durar quase um mês lá em casa.


[Mestre navegador aprova o processo.]

De volta à nossa mesa, começamos a primeira rodada para valer. Depois outra rodada. E outra. E outra. Hora de separar os homens dos meninos. Brindamos aos ausentes, todos eles, que vivam para sempre, os bastardos! No final, brindamos à nossa, aos sobreviventes, “juntos fomos à guerra, juntos estamos no bar.” E a Helga lá no balcão, servindo chopp e salsichão pra alemãozada.


[Qual vai ser a próxima?]

Antes de partir, eu e o navegador tomamos uma decisão: vamos começar o treinamento com o mestre timoneiro e lançá-lo no Campeonato dos Tomadores de Chopp 2009. E depois que ele bater o recorde, o prêmio vai ter que mudar o nome para Alvaro Fonseca Duarte.


[O nome do timoneiro ainda vai ser inscrito nesse quadro com letras de ouro.]

Voltamos para Curitiba sem transtornos. Mestre navegador dormiu no leme como sempre, mas o timoneiro mostrou que é um bom sujeito levando todos em segurança para nossas mãezinhas.

Já na casa do navegador, despedi-me da tripulação, montei na minha moto e tomei o rumo de casa. Bom passeio, boa companhia. Dois sujeitos decentes. Dois grandes sujeitos. Ahoy, me mateys!


[Mestre navegador direto dos filmes de faroeste.]< br />
* * *

Cerveja Eisenbahn, das Bier von Blumenau
Das macht uns stark und schmeckt so gut
Cerveja Eisenbahn, das Bier von Blumenau
Tudo mundo gerne trinken tut

Me dá um chopp, um chopp geladinho
Pois este é o melhor remedinho
Bebendo com moderação
Faz bem pra tudo e é nossa tradição

Lá vem a Eisenbahn
Chopp de Blumenau
Cerveja da região
Lá vem a Eisenbahn
Chopp de Blumenau
Tudo bem, todo mundo alles blau

Ein Prosit! Ein Prosit, mit Eisenbahn!
Ein Prosit! Ein Prosit, mit Eisenbahn!

Um dia de cada vez

[youtube dNNhIRE2TMI]

Repeti o Video. Mas a música é muito boa. A letra tem aqui

Posso fazer uma pergunta?”

“Sim, claro.”

“Você está bem?”

E foi assim. Mais de um mês atrás, na véspera do meu aniversário. Ela não teve dó de mim. Perguntou e ficou ali, esperando algo como uma resposta.

“Eu sou tão transparente assim?”

“É.”

Na hora eu me perdi em verborragia. Tentei de todas as formas enrolá-la. Mudava o assunto de um tópico a outro, pulava de tema em tema passando por várias coisas que eu fiz, para evitar responder. E ela me deixou falar. Me deixou tagarelar. Esse truque tagarela funcionava na maioria das vezes. Era só trocar de assunto algumas vezes que os ouvintes se perdiam. Quando eu cansei de falar, ela falou novamente.

“Você não me respondeu.”

“…”

“Você não me respondeu.”

“É. Poxa, eu sou tão transparente assim?”

“É.”

Na hora, no susto, eu não consegui responder. A pergunta dela fez minha cabeça girar. A metralhadora tagarela que eu liguei depois era uma prova disso. Ela me pegou desprevenido e parecia se divertir com o meu pânico. Enquanto isso ela ficava ali só olhando, só ouvindo.

Mas de um mês passou e essa é a resposta para a sua pergunta:

A base continua a mesma, as idéias continuam as mesmas, os sonhos, os mesmos.

Mas muita coisa mudou. Mudou a forma que eu encaro as coisas. Mudou a forma que eu encaro o tempo.

Eu deixei de pensar em anos e passei a pensar no máximo em semanas. “Viva um dia de cada vez”, como eu costumava dizer. E isso já me tirou um peso das costas impressionante.

Eu encontrei hobbies pelos quais me apaixonei. Coisas que eu sempre quis fazer desde pequeno, mas ou não tinha idade, ou não tinha grana. Ou os dois. Tempo eu continuo não tendo, mas isso nunca foi problema. “Quem quer dá um jeito”, dizia um grande pensador.

Eu passei várias noites em claro, mas eu consegui encontrar o caminho de volta. Eu estou bem sim.

Eu devo muito a “eles” e a você por isso. “Eles” têm grande parcela de culpa de eu ter (re)encontrado o meu caminho. Isso mostra que eu posso ter feito um monte de escolha errada na vida mas escolhi as pessoas certas para chamar de amigo. O fato de “eles” não terem desistido, mesmo quando eu desisti só aumenta ainda mais o respeito que eu tenho por “eles“.

Só de ficar aí parado já é perigoso.

Ele: Puta Merda.

Eu: Que foi?

Ele: Puta merda. Tá certo que quando eu resolvi pegar essa vaga de protetor, me avisaram para ficar longe dos desastrados e atrapalhados. Que era fria.

Eu: ahhahaahha.

Ele: Mas eu não dei ouvidos. Inclusive, achei que pegar um caso desses iria fazer até bem para a minha carreira como protetor. Imagina: EU consegui proteger o lado de um desastrado/atrapalhado e ele morreu de velho! De velho! Quando pintou a vaga eu já estava ouvindo os outros comentarem “Olha lá, aquele anjo ali conseguiu proteger um desastrado até ele morrer de velho”. Poutz, as vezes a gente faz umas escolhas na vida viu…

Eu: Mas eu nem fiz nada.

Ele: Nem fez nada? Poxa, eu não posso nem ir ali dar uma olhada em uma moça bonita que você já está arrumando uma forma de se matar!

Eu: Ah, pare de reclamar. Eu nem fiz nada.

Ele: E precisa? Você sendo o desastre ambulante que é, só de ficar aí parado já é perigoso.

Eu: É, essa foi quase.

Ele: Quase.

Eu: Mas não foi. E se fosse, seria muito sem graça. Não deu tempo nem de ver o filminho.

Ele: Filminho?

Eu: É. Aquele “minha vida passou na frente dos meus olhos”. Na verdade, seria meio que nem a Sucuiuiu: Não daria tempo nem de dizer “Ai Jisuis”.

Ele: Hahahahahaha. Será que eu consigo um extra no salário se eu listar todas as enrascadas das quais eu já tirei você?

Eu: Ahahaha. Sei lá. Vai ter que falar com o Homem. Hey Garçom! Traz mais duas absoluts aqui, para mim e outra pro meu amigo.

Estou eu bem tranquilo sentadinho no meu trabalho e toca o telefone. O chefe liga dizendo que é para eu fazer o teste que falta com a nova turbina que eu projetei. “É só ligar a máquina no trator, encher ela de água, e subir aquela ladeira de barro lá atrás do refeitório”. E lá fui eu e mais uma galera.


Mais ou menos assim. Mas como choveu a noite isso tava uma lameira só.

Montamos a turbina na máquina, montamos a máquina no trator e fomos até a ladeira. Ela é atrás do refeitório e começa numa calçadinha, que termina de repente e tem uns 20m de descida. Um descidão bonito.

O cara que tava pilotando o trator desceu a ladeira com ele numa boa. Fez a volta lá embaixo, que é plano, ligou a turbina da máquina e veio fazendo o maior barulho e subindo a ladeira. Bem na manha.

Um trator desse e um pulverizador com turbina desse tipo.

A primeira subida foi tranquilo. Chegando lá em cima o piloto pegou e seguiu até um bosque, que tem uma descida suave e que acaba no pé do ladeirão. E lá veio ele para a segunda volta.

O trator patinou um pouco quando chegou no final da subida mas tudo bem também. E lá foi ele para a terceira volta.

E aí o trator encalhou. Atolou naquela lameira. Jogava barro para tudo o quanto é lado. Em cima de mim, inclusive.

Agora fica a pergunta: Como vamos desencalhar um trator de 80cv e 2 tons dessa lameira? Ora, aqui a gente FABRICA trator. Vamos pegar outro e rebocamos esse.

E lá saiu correndo o estagiário atrás de um outro trator. Na correria ele pegou o primeiro que achou. Um trator pau velho, 1974, vermelho. Ele veio vindo, veio vindo e colocou esse trator de ré, bem no começo da subida, a uns 3 metros do outro.

Parou e eu entrei entre os dois e comecei a amarrar os cabos e cordas pro reboque.

Aí, só para a história ficar mais interessante, o tratorzinho vermelho ficou sem o quê? O quê?

Advinhou quem disse freio.

E ele veio vindo de ré, olha que divertido. Agora lembrem que eu estava ENTRE os dois.

Não perguntem como.

Eu não sei como eu saí dali.

Eu sei que uma hora eu estava no meio dos dois e na outra eu não estava e dois monstrinhos de 2 toneladas cada estavam se batendo.

O pior de tudo é que o trator pau velho nao conseguiu rebocar o trator atolado. 😛