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John Bull

Era uma ilha pequena na Grande Rota. Não possuía grandes lojas, nem grandes atrativos. E só tinha uma taverna e, essa tinha o seu charme.

Era um ambiente acolhedor, pequeno, bem iluminado. Passava uma sensação de tranquilidade, como se fosse o último refúgio antes da guerra. Em uma das poucas haviam 3 homens sentados. 3 Oficiais.

Capitão: Ainda não entendi por que paramos aqui. Temos tudo o que precisamos no navio.

Imediato: Taverneiro! 3 doses de Rum!

Taverneiro: Aye Aye!

Capitão: Alguém pode me dizer o que estamos fazendo aqui?

Navegador: Esperando Capitão. Estamos com um bússola registradora. Temos que esperar e quanto mais paradas fizermos menor é a chance de nos perdermos.

Capitão: E a bússola permanente que tínhamos?

Imediato: Ele derrubou.

Capitão: Como derrubou? Seu cão imundo!

Imediato: Aye. Cuidadoso como um rinoceronte. Até hoje não sei como ele não faz a gente se perder.

Navegador: (…)

Taverneiro: Seu rum com gelo senhores. E a soda que acompanha.

Imediato: Mantenha essa soda longe de nossa bebida homem. Não vamos estragar uma boa dose com isso.

Navegador: Um Brinde ao Capitão!!!! Grande capitão que por muitos anos estive longe!

Imediato: Graaaande Capitão!!!

Capitão: Arrrrr!!!!

O Cozinheiro já havia comentado e, agora que o Navegador e ele já se encontravam na terceira dose e o capitão estava na primeira ainda, o Imediato resolvera perguntar:

Imediato: Algum problema Cap’n? O Rum não está bom o suficiente?

Capitão: Arrrrrrr! Não estou acostumado a beber.

Navegador: Cof Cof Cof Cof…. Truuuuuuuucooooooooooo!!!!!!

Imediato: Tudo bem capitão. Combinamos assim então: eu tomo o seu Rum e o senhor fica com a minha soda. O Navegador é V8 e bebe tudo, mas eu não estou dando conta dessa soda.

Nessa taverna tal como todos os lugares em que os grandes homens se reúnem para contar as grandes histórias de suas vidas, o tempo voa. E quando deram por si, a noite já ia alta. Os 3 tiveram que voltar a pé até o Barco, mas nem por isso a noite foi menos divertida.

Próxima parada: Ilha do Alemón!

Machados

Se por acaso algum marujo novato estive zapeando pelo navio, pensaria que tinha encontrado a câmara de torturas. Toda a sorte de instrumentos de corte estava ali, perfeitamente e no seu devido lugar. Haviam Machados-Duplos pendurados nas paredes. Martelos Nórdicos. Mais Machados. Todas as armas estavam polidas e brilhavam mais que a careca do Cass, o irlandês, ao sol.

Além de toda a sorte de instrumentos de corte, ali havia um grande Barril, com uma torneira. E uma grande mesa. E um balcão, no estilo das melhores tavernas do Reinado. E ali estava ele.

Era um homem imenso. Que inspirava respeito. Beirava os 2m, há muito já tinha passado dos 3 dígitos, mas longe de Gordo. Era Forte. Era Grande. Tinha ossos largos.

Ali era o único local do Navio que nem o Imediato e nem o Capitão mandavam. Ali era o território dele. Ali, ele era a Lei.

O Mestre Cozinheiro era realmente um especialista em retalhar carne e preparar comida para os tripulantes do Tien Long.

O Imediato estava parado à porta, e por um momento se permitia observar o Cozinheiro em Ação. Cantando uma canção, mesmo com o balanço do mar, o Grande Cutelo subia e descia com uma velocidade impressionante. Os pedaços de carne pareciam que se despedaçavam magicamente, tamanha a perícia no corte. E nem mesmo o balanço do Navio, nem mesmo aquela garrafa de Rum, que já se encontrava pela metade, diminuíam o espetáculo.

Cozinheiro: Sr. Imediato! Chegue!

Imediato: Olá Mestre. Como vai?

Cozinheiro: Muito bem, muito bem. Sente-se. Rum? Ótimo lote.

Imediato: Por Favor. Vim aqui saber se o Mestre vai descer em John Bull também.

Cozinheiro: Não. Tenho que terminar de cortar e salgar toda essa carne, antes que estrague. Tenho também que refazer as compotas de pimenta e cebola que foram usadas nesse tempero.

Imediato: Ah. Certo. Deseja alguma coisa de terra?

Cozinheiro: Não dei por falta de Nada. O Capitão também vai?

Imediato: Sim. Iremos eu ele e o Navegador.

Cozinheiro: Falando nisso, eu estranhei que ele não veio aqui ainda. Não bebeu nada.

Imediato: Também percebi isso. Ele está sóbrio como um Padre domingo de manhã.

Cozinheiro: Será que… ?

Imediato: Não sei. Eu e o Navegador tentaremos descobrir. Bom, preciso ir. Até.

Cozinheiro: Até. Sempre uma satisfação.

O convés do Navio estava uma correria. O Mestre Armeiro distribuía gritos sobre onde posicionar os canhões. O Mestre Gaijeiro berrava com seus subordinados para que as Velas e o Cordame ficassem bem amarrados. O Mestre Carpinteiro estava analisando o Mastro e murmurava sobre precisar de mais pregos.

O Capitão estava parado, ao lado do Navegador, no timão.

Capitão: Vire logo esse garoto e vamos botar os pés em Terra.

Navegador: Aye Aye, Cap’n

Capitão: Onde está o Imediato? Imediato!?

Imediato: Aqui Capitão.

Capitão: Hum. Vamos.

E eles desembarcam. Vários tripulantes desembarcam, a grande maioria ao chegar em Terra vai comprar o que deve comprar, vai visitar a Taverna e talvez “outros lugares” e voltará ao Navio.

Os 3 Oficiais vão apenas para beber e conversar.

O Livro

A Cabine do Capitão talvez fosse o melhor lugar do navio. Em todos os navios via-se muito luxo, ouro, jóias, tesouros inimagináveis. Coisas muito belas, muitos vestidos de donzelas que por ali passaram (e que nunca ficaram, pois todo mundo sabe que mulher em navio dá Azar). Normalmente era um cômodo enorme, na melhor localização do Navio e também no lado mais protegido dos canhões inimigos.

Mas não ali.

O Navio ali era diferente. A Tripulação era diferente e, o Capitão também era diferente.

Não que fosse menos ranzinza, ou ainda cordial. Isso eram características de um bom Imediato.

Mas o Capitão do Tien Long não se reservava o direito de viver no conforto enquanto sua equipe sofria. Afinal, ele tinha sido eleito, de forma justa e por todos, como o Capitão. O Capitão tinha sim seu quarto separado dos outros, mas raramente dormia nele. Os aposentos do capitão estavam mais para uma sala de Reuniões, de partilha de Butim e traçamento estratégico, do que para um local de Luxo.

Claro que convém comentar que, por ser afastado dos alojamentos da tripulação, em um canto escuso do Navio e também por (e principalmente por) ser bem afastado da Cozinha e seus Barris de Rum, dificilmente o Capitão encontrava o caminho de volta, bêbado que nem um gambá.

Outrora era muito comum vê-lo andando pelos corredores a noite, trançando as pernas, muitas vezes apoiado em um dos Mestres do Navio e dizendo: Eu não estou bêbado, eu só pareço bêbado. Eu estou fingindo.

Mas isso não tinha acontecido ainda. Eles estavam a duas noites no Mar e o Capitão continuava sóbrio. E estava em seus aposentos.

Há duas horas ele estava sentado na frente do Livro. Poucos Piratas sabiam ler na verdade, mas em seu Navio era diferente. Todos sabiam, pois todos tinham chance de ser o Capitão e, o Capitão sempre precisa ler. Ele sempre precisa ler AQUELE livro. O Livro do Código.

Os capitães piratas tinham de seguir este regulamento à risca, pois a sua tripulação poderia revoltar-se contra o seu capitão, por exemplo, deixando-o numa ilha deserta, só com uma bala e pouco mais.

E lá estava ele, sentado com o livro sobre a mesa, fechado. Os momentos dos ultimos dois anos de prisão repassavam em sua mente. Ele lembrava de cada tarde preso, de cada vez que sentia o cheiro do Sal no vento e que sabia que era no mínimo injusto tê-lo colocado ali. Mas agora ele estava livre, e tinha o seu navio e sua tripulação de volta. E, para isso, precisava lembrar-se do Código. Ele sabia que não precisava ler, porque não tinha se esquecido de nada. Não havia modo de fazê-lo esquecer.

Mas mesmo assim ele abre o livro.

I – Todos os homens têm voto nos assuntos do momento e têm igual direito a provisões frescas ou a licores fortes, a qualquer momento desejado e podem usá-los a seu bel-prazer, a não ser que escassez torne necessário, para o bem de todos, votar o racionamento.

II – Todos os homens só têm de ser chamados no seu turno, seguindo a lista, pois eles podem, nos seus turnos, descansar e fazer algo livremente, mas se eles defraudarem a Companhia no valor de um dólar no prato, jóias ou dinheiro, têm o castigo de serem abandonados numa ilha deserta. Se o roubo ocorrer apenas para com qualquer outro marinheiro da tripulação, eles contentam-se cortando as orelhas e o nariz ao culpado, e deixando-o numa costa inabitada, não num sítio qualquer, mas num sítio onde navios o possam encontrar.

III – Nenhuma pessoa pode jogar às cartas ou aos dados por dinheiro.

IV – As luzes e as velas têm de ser apagadas às oito horas da noite. Se alguém da tripulação, depois dessa hora querer continuar a beber, terá de o fazer no convés.

V – Têm de manter as suas peças, pistolas, e restantes armas limpas e prontas para batalhar.

VI – Nenhum rapaz ou mulher é permitido(a) estar entre homens. Se algum homem for encontrado a seduzir ou a fazer sexo, e levá-la até ao mar, disfarçando, ele sofrerá ate morte.

VII – Quem abandonar o seu navio ou o posto de combate, deverá ser castigado com a morte ou ser abandonado numa ilha deserta.

VIII – A lei de parley so usa-se por capitaes em situacao de risco , as disputas de todos os homens devem ser terminadas em terra com os alfange.

IX – Nenhum homem pode falar em desistir da vida de pirata, sem antes ter partilhado 1.000 libras. Se para isso, algum homem tiver de perder um membro, ou tornar-se incapacitado para o seu serviço, ele teria de ter 800 dólares, fora do armazenamento público, e por ferimentos, proporcionalmente.

X – O capitão e o contramestre têm de receber dois quinhões do saque. O imediato, o mestre, o oficial e o homem de armas, um quinhão e meio, e outros oficiais, um quinhão e um quarto.

XI – Os músicos podem descansar no dia religioso de Sabbath (Sábado entre os judeus, Domingo entre os cristãos), apenas à noite, mas nos outros seis dias e noites, não poderão descansar sem um favor especial.

É, ele se lembrava de tudo. Claro. Ele era o Capitão.

E era melhor ir ver o que aqueles cães sarnentos estavam fazendo por que estava demorando por demais para chegarem na primeira parada.

Mafia Pirates

Cenario: Uma sala pequena, coisa de 3m x 3m. Parades e teto de madeira, envernizadas. Uma janela quadrada, de vidro antigo, meio fosco, virada pro Mar. Uma grande prancheta no meio da Sala. Uma banqueta na frente da prancheta e muitos, muitos papéis distribuídos de forma aleatória por ali. Um astrolábio, várias cartas náuticas coladas nas paredes, alguns calendários, um mapa mundi, um ábaco. E um homem sentado na banqueta.

Ele estava perdido em pensamentos. Perdido em cálculos, fascinado com os números. Fascinado com o seu talento natural de direção, de raramente não saber para que lado era o Norte. Sempre o Norte. Ele estava perido em devaneios quando 3 batidas na porta o despertam. Ele já sabia quem era.

O outro entrou. Muito bem vestido, trajes muito bem arrumados, bem caídos ao corpo. Não chegavam a ser justos, mas caíam muito bem. O cabelo que fora longo e tinha sido cortado recentemente estava muito bem alisado e o olhar apertado denotava a necessidade de lentes, mas ele nunca iria admitir isso.

Imediato: Tudo pronto?

Navegador: Aye. Todas as rotas estão traçadas. E revisadas. Teremos bons dias pela frente.

Imediato: Ótimo. Nosso navio está pronto. Doca 23.

Navegador: Aye. Irei levar o material para lá. Soube que nosso Capitão desembarca hoje.

Imediato: Sim. E ele vai querer que o navio saia assim que possível.

Ele estava encostado sobre a Amurada. Podia para ver toda a Orla e aquela hora as gaivotas gritavam e voavam para lá e para cá. Anos haviam se passado, e ele queria saber se sua tripulação não tinha ficado enferrujada (e eles queriam saber se ele continuava com “tato” para o comando). Os anos preso na ilha da Marinha tinham voado, apesar de tudo. E graças à Rebelião, ele estava livre.

Cenario: Doca 23. A Escuna estava ancorada voltada para o Mar. Os vários tripulantes estavam atarantados, correndo para lá e para cá. Havia muito serviço a ser feito, antes que o Capitão retornasse. Os 60 homens estavam dando tudo de si para colocar a velho Tien Long em ordem, depois de anos ancorado na ilha da Tartaruga.

No deck principal, os Mestres do Navio estavam reunidos.

Imediato: Todos Prontos?

Navegador: Aye. O tempo está bom, um bom vento sopra.

Imediato: Ótimo. Cozinheiro?

Cozinheiro: Aye, Aye. Metade do porão de carga do Navio está lotado de Bife, Carne de Porco, Cerveja, Sebo e Farinha.

Imediato: E o Rum?

Cozinheiro: É a outra metade do Porão.

Imediato: Aye. Armeiro?

Armeiro: 8 Canhões limpos e lustrados.

Imediato: Aye. Carpinteiro?

Carpinteiro: Aye. Toda a reforma do casco está pronta.

Imediato: Aye. E…

Capitão: Ahoy!! Seus vermes imundos!! Ratos de Água Doce!! Navegador: Levantar âncoras, vamos partir.

Onde está o Imediato? Imediato??? Espero que esteja tudo pronto, senão vocês vão conhecer o fundo do Mar.

Ergam a nossa Bandeira!

Vamos!

E assim eles vão, rumo à primeira parada: A Ilha de John Bull.

Capitão pirata

(Trasgo)

(dos excertos das conversas do Gtalk)

Navegador: E o capitão? Tem noticias dele?

Imediato: Nenhuma, amiguinho. Escafedeu-se. Pouf!

Navegador: Pouf!
Estou preocupado com o nosso capitão. É a gente aportar, que ele desaparece em meio aos meretrícios.

Imediato: Pois é, rapaz. Mas capitão pirata é assim mesmo. Daqui uma semana ele aparece bêbado que nem um gambá, com marca de batom no colarinho.
Isso se estiver de colarinho.

Navegador: E a gente vai começar a ouvir os boatos de que em tal bar tem um capitão bêbado que nem um gambá, briguento que nem um bicho arisco.
O que me preocupa é se a marinha aparecer…
Quem que vai lá, convencer o capitão a vir pro barco?

Imediato: Não sei se tenho macheza para tal. Tem que você e o cozinheiro se juntar e cada um pega num braço.

Navegador: Da última vez passei 3 meses limpando o convés, por ter feito isso.

* * *
Música do Dia: Matanza – Estamos todos Bêbados

Nós estamos todos bêbados
Bêbados de cair
E todos que não estiverem bêbados
Dêem o fora daqui

Lançava-se ao mar o comandante Nobrum
Passava o dia no barco pescando mas nunca nos trouxe um atum
Tanta sabedoria e prática além do comum
Dizem que se atribuía a várias garrafas de rum

Somos amigos em terra
Somos amigos no mar
Juntos fomos à guerra
Juntos estamos no bar

Nós estamos todos bêbados
Bêbados de cair
E todos que não estiverem bêbados
Dêem o fora daqui

O açougueiro sem dedo que trabalhava no cais
Passava o dia fazendo piada da falta que o dedo lhe faz
Dizia com riso amarelo: “Ouça bem meu rapaz,
Ao trabalhar com o cutelo nunca beba demais”

Somos amigos em terra
Somos amigos no mar
Juntos fomos à guerra
Juntos estamos no bar

Nós estamos todos bêbados
Bêbados de cair
E todos que não estiverem bêbados
Dêem o fora daqui

Marquade alimentava as caldeiras do velho vapor
A despeito do vento, sufocava o calor
Teto de ferro fundido, sol direto na chapa
Tudo já resolvido com duas garrafas de grapa

Somos amigos em terra
Somos amigos no mar
Juntos fomos à guerra
Juntos estamos no bar

Nós estamos todos bêbados
Bêbados de cair
E todos que não estiverem bêbados
Dêem o fora daqui