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Senhor? Adão na linha oito.

— Senhor?

— Adão na linha oito.

— Pode passar.

— Pronto.

— Alô?

— Deus?

DeusPhone

— Oi, Adão… Tudo em paz?

— Mais ou menos.

— O que houve?

— Eu gostaria de saber se o Senhor pode me ajudar com um processo.

— Processo?

— Isso. Eu vou processar os macacos aqui do Paraíso.

— Mas por quê?

— Porque eles ficam espalhando imagens minhas por aí.

— Que imagens?

— Imagens… Bem… Imagens íntimas.

— Adão, você pode explicar melhor? Contando desde o começo?

— É o seguinte: os macacos entraram na minha caverna semana passada. Em uma das paredes tinha uns desenhos que a Eva e eu fizemos e que mostravam… Bem…

— Eu imagino.

— Então, é isso mesmo que o Senhor imaginou. O que os macacos fizeram? Eles arrancaram aquele pedaço da caverna, com o desenho. E agora ficam copiando tudo em folhas de bananeira e espalhando por aí!

— Para os outros animais?

— Isso! E sem a minha autorização! Eu vou processar todo mundo!

— Mas as imagens são tão comprometedoras assim? Afinal, são apenas desenhos…

— Não importa! Eu estou pelado em algumas delas!

— O que não quer dizer muito, certo?

 

(continue lendo a excelente saga de conversas entre Deus e Adão, no papo de homem : http://papodehomem.com.br/author/robgordon/)

Desapego

– Hahaha. Mas nem era dela que tava falando. Ou vc acha que seus conflitos morrem nos seus 24 anos?
– Nao doutor, acho que nao.

– Assistiu V de vingança? O V diz que vc alcança a redenção depois de superar o medo da morte. Vai ver era o seu caso.

– Pode ser. Na verdade, minha conclusao é semelhante. Toda grande mudança na vida, exige uma mudança de personalidade. Quer seja quando vc começa uma faculdade, começa a trabalhar ou começa um relacionamento. Essas mudanças sao devido a novos tipos de responsabilidades, novas atividades ou novas experiencias pelas quais vc passa. O caso é que vc desenvolve toda uma identidade nova a partir daquele momento.

– Isso mesmo.

– O ruim no final dessas coisas, qundo vc é demitido, chutado ou tem que parar com a faculdade é que aquela identidade que vc havia criado morre (ou é morta). Por isso que parece que tomaram o mundo de você. Eles tomam a sua forma de ver o mundo. “Não é o fim do mundo, é o fim do SEU mundo”

– A pergunta que fica é: E quando passa?

– A resposta é simples, claro. Não passa.

– Não passa?

Não. Se aquela identidade morreu (e a vida não é como nos quadrinhos que morrer não significa estar morto), só nos resta 3 coisas. A primeira é lamentar isso. “Poxa, mas eu gostava tanto daquilo”. A fase de lamentação é a mais difícil de ser superada. E na verdade, só pode ser superada na próxima fase. O Desapego.

– Dalai lama fala muito sobre desapego.

– Exato. Tem que deixar a identidade anterior partir. Não é apenas questão de querer voltar para aquele estado de qualquer jeito. Não tem mais volta. Suas experiências mudaram. Você evoluiu, quer seja para melhor ou para pior. Não há o que fazer. É como derrubar óleo em um balde com água. Não dá para separar.

Só quando você deixa de se apegar a sua imagem anterior e a deixa partir, você chega ao terceiro estágio. Contruir uma nova identidade. Só com a criação de uma nova identidade, que muitas vezes vai incluir muito da anterior, principalmente as partes que davam certo, é que é possível fechar o ciclo todo. Só então é possível ver tudo o que estava na sua frente, mas que você havia fechado os olhos para não ver. É como diz aquele conto Zen, “Eu deixei a garota lá, você ainda a está carregando?”

tanzan e ekido certa vez viajavam juntos por uma estrada lamacenta. Uma pesada chuva ainda caía, dificultando a caminhada.

Chegando a uma curva, eles encontraram uma bela garota vestida com um quimono de seda e cinta, incapaz de cruzar a intercessão.

“Venha, menina,” disse Tanzan de imediato. Erguendo-a em seus braços, ele a carregou atravessando o lamaçal.

Ekido não falou nada até aquela noite quando eles atingiram o alojamento do Templo. Então ele não mais se
conteve e disse:

“Nós monges não nos aproximamos de mulheres,” ele disse a Tanzan, “especialmente as jovens e belas. Isto é perigoso. Por que fez aquilo?”

“Eu deixei a garota lá,” disse Tanzan. “Você ainda a está carregando?”

Pare de Esperar.

Stop Hoping for a Completion of Anything in Life

Most men make the error of thinking that one day it will be done. They think, “If I can work enough, then one day I could rest.” Or, “One day my woman will understand something and then she will stop complaining.” Or, “I’m only doing this now so that one day I can do what I really want with my life.”

The masculine error is to think that eventually things will be differente in some fundamental way. They won’t. It never ends. As long as life continues, the creative challenge is to tussle, play, and make love with the present moment while giving your unique gift.

– David Deida, The Way of Superior Man

(tradução livre : A maioria dos homens comete o erro de pensar que um dia, tudo vai se resolver. Eles pensam, “Se eu trabalhar duro o bastante, então um dia eu poderei descansar.” ou, “Um dia minha mulher vai entender alguma coisa e vai parar de reclamar.” ou, “Eu só estou fazendo isso agora porque um dia eu farei o que eu realmente quero para a minha vida.”

O erro masculino está em pensar que eventualemente as coisas serão diferentes de alguma maneira fundamental. Elas não serão. Isso não vai acabar nunca. Enquanto a vida continuar, o desafio criativo será lutar, brincar e fazer amor com o momento atual, dando a sua maior dádiva.)

E assim começa o livro do David Deida. Agora, eu entendo porque o Gustavo sempre comenta sobre o livro. É um livro daqueles que balança a sua forma de ver as coisas. Recomendo a todos.

– – –

Quantas vezes não enrolamos fazer alguma coisa na vida porque dependemos de outra? Ou porque não temos o dinheiro necessário, o tempo necessário, ou não estamos prontos, ou não é o momento? Quantas vezes escondemos o nosso medo atrás de desculpas (esfarrapadas) que, por mais que na nossa lógica estejamos dando aos outros, estamos dando para nós mesmos?

Como diz no texto, nosso maior erro é essa espera. “Vou esperar terminar a faculdade para fazer isso.” , “Vou esperar ter estabilidade financeira para fazer aquilo.” , “Eu só estou fazendo esse trabalho até descobrir o que eu realmente quero fazer da vida.”, “Vou esperar até ela recolocar a cabeça no lugar para conversarmos.”.

Nosso maior erro está em esperar que o mundo se acerte para fazer o que se deseja. Está em “esperar” que o mundo “SE” acerte. Não há espera. O Mundo nunca irá “SE” acertar sozinho. Sempre haverá alguma coisa pronta a incomodar a gente e que vamos poder usar de desculpa para evitar fazermos as coisas.

Por que? Porque temos medo. Medo de perder. Medo do desafio. É muito mais fácil se esgueirar atrás de desculpas do que encarar de peito aberto o desafio de fazer algo novo, algo complexo. É mais seguro fazer o que todos fazem do que ter que suportar as críticas ao fazer algo que foge do óbvio.

Casar, escolher faculdade, trocar de emprego, comprar a casa, comprar o carro, ter um filho. Se formos esperar ter total segurança para fazer tudo isso, não vamos é fazer nada.

A história sempre mostrou que Grandes Pessoas não se deixaram intimidar por críticas, por dificuldades financeiras, por dificuldades de projetos, por dúvidas. Fazer algo diferente, algo que não estamos acostumados, exige uma boa dose de perseverança, de temperança e de vontade. E algumas vezes um pouco de loucura ajuda também.

O texto do David Deida vai além e diz

Não espere mais. Não acredite no mito de que “um dia tudo vai ser diferente” e faça o que você gosta de fazer, o que você está esperando para fazer, o que você nasceu para fazer, AGORA! (…) Cada momento esperado, é um momento perdido e cada momento perdido degrada a claridade de seus propósitos

Pare de Esperar. É hora de Agir.

Dirigir ou Pensar? Navegar ou Sentir?

Fato: Dirigir na cidade é um saco. Ponto. Aqui, para todos os efeitos estou falando de estradas (ou fora delas), ok?

Eu deixei até aonde deu para deixar para tirar a habilitação. Diferente de todos os caras de 18 anos, o meu maior desejo não era pegar o possante e sair por aí. Sei lá. Não tinha atração. Me enrolei até os quase 22 para tirar e só fiz porque precisava. Mas não gostava de dirigir. Dirigir na cidade é realmente irritante (e olha que Curitiba nem tem tanto carro assim). No trânsito a gente vê cada coisa e cada figura, que meudeusdocéu.

Realmente eu não gostava e evitava ao máximo. Até que eu arrumei um trabalho que me exigiu viajar. Dirigindo.

Um viagem longa de carro tem seus vários pontos bons e ruins. Dependendo da companhia a viagem pode ser uma diversão ou uma chatisse. Dependendo do tempo, dependendo das condições da estrada, do movimento, e de mais uma dúzia de coisas, a sua viagem pode ser um passeio ou um estresse.

Mas uma viagem também tem os seus pontos altos. As paisagens.

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Se transformar no que diz ser

No primeiro texto eu falei sobre alguns tipos de amor e que era possível amar ‘conscientemente’. No segundo texto eu falei sobre como submeter o amor à nossa vontade, sobre ‘tentar amar’ e sobre escutar o próprio coração. Neste texto eu vou falar um pouco mais sobre isso, sobre o que eu fiz nesse tempo de sumiço e vou colocar o gancho pro próximo texto (claro 😉 )

Eu terminei o ultimo texto com uma citação do Castañeda, sobre o ‘camiño con corazón‘. E não foi por acaso. Também não foi por acaso o adjetivo ‘bússola’ que eu usei para o coração.

O coração é um grande aliado na vida. É conversando com ele que podemos nos aproximar do amor. É nessa conversa que podemos sentir ‘Ágape’, que é uma forma de amor muito maior. É nessa ligação interna que podemos auxiliar nossa intuição e nos decidirmos naquelas decisões críticas, que nem sempre envolvem razão. É o coração que vai te ajudar, dando aquele ‘empurrãozinho’.

Eu gosto de pensar no meu coração como uma fonte de respostas minhas. Não são respostas que eu ‘tenho que dar’, nem que os ‘outros esperam que eu dê’, ou qualquer coisa do tipo. São respostas minhas. Baseadas nas minhas experiências, vivências e sentimentos.

Escutar o coração é escutar a nós mesmos. É como se pudéssemos sentar com nós mesmos numa mesa para conversar. Não apenas aquela tagarelice lotada de vai-e-vem dos pensamentos, mas sim uma conversa focada, centrada, concentrada. Com sentimentos. Com amor.

Poder sentar, em silêncio, ouvindo uma música tranquila, deixar a mente tagarelar até cansar, e mesmo depois disso ainda sentir ‘algo’ dentro do peito, dentro de si, é o primeiro passo para sentir o amor por si mesmo. E é através desse que o amor pelo mundo, o amor pela vida e o amor pelas pessoas vai aparecer.

“São conceitos muito novos, você mudou bastante”, me disse um amigo, ao ler os posts aqui. Mas será que são mesmo?

Quem já amou alguém sabe que foi preciso pensar muito na outra pessoa antes de amar. Se for amizade, é preciso convivência e convivência quer dizer pensar no outro. Se for relacionamento amoroso quantas vezes você a olhou antes de se ‘apaixonar’? Quantas vezes pensou nela, conversou com ela ou ‘viajou’ nos pensamentos com ela, antes de efetivamente amá-la?

Amor é sim uma coisa de vontade. A gente é que não percebe isso.

Quando se reúne ao redor da fogueira, conversa com seus companheiros e companheiras. Sabe que as palavras que saem de sua boca ficam guardadas na memória do Universo, como um atestado do que pensa.

E o guerreiro reflete: “Por que falo tanto, se muitas vezes não sou capaz de fazer tudo o que digo? Esta é uma reflexão importante.

E o coração responde: “Quando você defende publicamente suas idéias, terá que se esforçar para viver de acordo com elas”.

E porque pensa que é o que fala, que o guerreiro acaba por se transformar no que diz ser.

– Paulo Coelho

Esse foi basicamente o motivo do meu sumiço. Eu resolvi passar uns tempos me esforçando para sentir, conscientemente, os quatro tipos de amor que eu citei no primeiro texto.

Sentir o fraternal foi o mais fácil. Se aproximar da família, ficar junto, fazer as coisas junto de quem você gosta, nunca é difícil. E sentir essa proximidade no coração, sentir esse amor é o mais simples de se fazer.

Depois eu passei para o filos. Sentir amizade por alguém. Eu escolhi alguém que trabalha comigo. Sabe aquela pessoa que você ‘não vai com a cara’? Que parece que ‘o santo não bate’? Então, escolhi uma moça assim. Nós tínhamos uma série de atividades para fazer em forma de parceria, que envolviam tanto o meu trabalho quanto o dela. Passado o gelo inicial, e me esforçando para sentir por ela ‘amizade’ e não sentir ‘vontade de esganar’ foi fazendo com que o relacionamento fosse melhorando. Ao final da semana eu nem me recordava do problema de relacionamento. Sentir amizade por ela nao foi fácil. Mas parar de sentir implicância, foi mole mole.

Depois passei ao Eros. Esse éimples, não envolve só sentimentos, envolve química. Hormônios. Depois do fraternal, eu digo que esse é o amor mais simples de sentir. Talvez até mais simples que o fraternal, porque nem sempre concordamos com as atitudes de nossos pais e irmãos. Foi interessante observer conscientemente, tentando lembrar de mim mesmo, ver as ações e as reações.

E por fim, eu passei por Ágape. Na verdade, digamos que eu comecei por Ágape, porque, como diz no post abaixo, eu passei por um devaneio, perdido em sentimento e misturando as coisas. Depois de sofrer e desistir de sentir Ágape desta forma, eu consegui sentir Ágape através do Entusiasmo, realizando um sonho. E, ao realizá-lo o Entusiamos do amor-ágape apareceu.

Eu senti os quatro tipos de amor que eu tinha citado e, consegui nessa brincadeira aprender mais sobre mim e mais sobre nós.

Calma. O próximo texto vai falar sobre Ágape, que talvez seja o amor mais complicado desses que eu citei.

E eu ainda digo:

Love is the Law, Love Under Will (Amor é a lei, amor sob vontade)

Caminhos do Coração

Continuando o texto sobre o Amor (leia o começo aqui) podemos sim, submeter o amor à nossa vontade. Coincidência (ou não) no outro dia achei um texto do Gustavo do Não2Não1 em que ele traduziu um trecho do livro David Deida sobre o tema:

“Na prática da Comunhão Íntima, aprendemos que o amor é algo que nós fazemos, não algo no qual caímos dentro ou fora. O amor é algo que você pratica, como jogar tênis ou tocar violino, não algo que você por um acaso sente ou não sente. Se você está esperando para sentir o amor, em um sexo passional ou em uma conversa segura, você está cometendo um equívoco. O amor é uma ação que você faz — e quando você o faz, você o sente. Quando você está amando, outros acham você amável. O amor é uma ação que você pode praticar.”

O meu texto ia mais longe mas este outro é muito, muito mais simples 😉

Mas como conseguir isso? Como conseguir praticar o amor? Simples: Tente.

Isso, você não leu errado. Tente. Experimente Amar. Amar alguém, Amar uma idéia, Amar alguma coisa. É complicado no começo, mas depois pega-se o jeito da coisa.

Eu sei que vai complicar mais ainda o texto mas eu preciso dar outra volta. Como fazer para saber se realmente se o que sentimos por alguém ou algo é Amor? E como fazer para saber se é Fraternal, Filos, Eros ou Ágape?

Sua visão só se tornará clara quando você olhar dentro de seu coração… Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta.

– Carl Jung

Seu coração e apenas ele lhe guiará pela estrada da busca pelo Amor sob a Vontade. Novamente, tente ouví-lo. Experimente. Medite. Sente-se, coloque uma música tranquila para tocar, e apenas se sente. Concentre-se em sua respiração. Deixe sua mente flutuar solta. Deixe-a vagar. Muita coisa irá passar pela sua cabeça. Acontecimentos recentes, sonhos, viagens, decepções, alegrias, tristezas, músicas, coisas do trabalho… deixe sua mente vagar a vontade. Conforme for passando o tempo, ela irá se cansar. E você irá cada vez mais para dentro. Até chegar ao seu coração.

Quando sua mente finalmente se calar, não pergunte. Não force nada. Apenas sinta. Você irá sentí-lo ali. O seu velho coração, que apertava ao ver aquela garota, que pulava de susto naquele filme de terror, que queimava naquele dia excitante. Ele estará ali. Apenas sinta.

Com o tempo, quanto mais você olhar, mais entenderá da linguagem sem palavras que o coração fala. E finalmente entenderá o que a frase do Jung quer dizer. Com o tempo seu coração se abrirá para você. Irá lhe dizer seus medos, receios, temores. Seus sonhos, alegrias e desejos. E apenas a partir daquele momento você estará livre de qualquer risco de traição.

Porque os corações são receosos. Têm medo de sofrer. E costumam “trair” seus donos visando auto-preservação.

Quantas pessoas conhecemos que terminaram relacionamentos repentinamente, sem motivo aparente. Grande parte delas o faz porque o coração as trai. Seu coração fica angustiado, com medo de não poder corresponder o outro. Com medo de perder o outro e sofrer ainda mais. Quantas vezes já ouvimos coisas como “ele me ama demais, eu não mereço isso” ou “não sei se consigo retribuir o que você sente por mim, da mesma forma que você sente”. Os corações têm medo de realizar seus sonhos. Porque não acham que merecem. Porque duvidam da própria capacidade de conseguí-lo. São inseguros. São envergonhados. São inquietos, tagarelas.

Conheça o seu coração. Conheça os sonhos dele. Os temores. Aprenda a falar a linguagem sem palavras. A linguagem do nada. A linguagem do tudo. Conhecer o coração é a melhor forma de evitar a traição que visa a auto-preservação. Traição é uma coisa que não se espera, uma coisa de momento. Se você conhecer o seu coração, jamais irá vir um golpe inesperado.

Nesse momento você conseguirá um poderoso aliado. Seu coração servirá como grande “termômetro” para as coisas, e também como uma grande bússola, que sempre lhe apontará a direção a seguir.

“La consistente preferencia por el camino con corazón es lo que diferencia al guerrero del hombre común. El guerrero sabe que un camino tiene corazón cuando es uno con él, cuando experimenta gran paz y placer al atravesar su largo”

-Castañeda

Outro dia eu falo mais sobre o coração 🙂

Love is the Law, Love Under Will

Vou encarar um texto diferente hoje. Vou falar sobre amor. Sobre amor entre casais, entre amigos e irmãos e sobre fé. Porque eles são tipos diferente de amor, mas no final são a mesma coisa.

Amor é uma coisa que todo mundo já sentiu. É um aperto no peito, um sussuro no ouvido, um sorriso, uma lágrima que sai de repente, um banho de sol, uma tranquilidade, um brilho diferente nos olhos. O mundo parece mais colorido, mais vivo. As coisas parecem que dão mais certo, mesmo aquelas mais prováveis de dar errado.

Amar alguém, amar alguma coisa, amar alguma idéia é a coisa mais legal que tem. Mas amar, não é uma coisa inconsciente. Você não acorda amando alguém. Certas vezes parece que é assim, mas se pararmos para notar esse pensamento já vinha de longe. Amar é um sentimento que está submetido a vontade. Só amamos aquilo que queremos amar. Como diz um dos princípios da Filosofia Thelema:

Love is the Law, Love Under Will (Amor é a lei, amor sob vontade)

Existem vários tipos de amor. Psicologia, Psicanálise e Poesia mostram como as pessoas podem amar das mais variadas maneiras, intensidades e formas. Porém de todos os tipos quatro deles se sobressaem e são os tipos mais básicos e mais fáceis de se perceber. É comum usar palavras gregas para definí-los: Fraternal, Eros, Philos e Ágape.

Fraternal é o amor entre pais e filhos. É o amor entre irmãos. Este é talvez o primeiro amor que todos sentimos e é tido como sendo o amor “natural”, pois existe sem obrigação. É um tipo muito emotivo de amor porque o afeto vem da ligação de família e talvez seja o amor mais comum e difundido. Porém é isso o que o faz complicado porque normalmente o afeto faz com que o amor seja (muitas vezes) cego.

Eros é o amor apaixonado, com desejo e atração sensual. O Amor entre casais. É por Eros que sentimos o aperto no peito, o suor nas mãos, a leveza de estar com alguém que “amamos”. Todos os relacionamentos estão interligados a Eros e todos em um ponto ou outro tiveram muita parte de Eros nos sentimentos do casal. O termo erótico é derivado de eros. Eros é o que inicialmente liga os casais, mas Eros também possui um lado ruim que pode acabar afastando os casais. Ciúmes, brigas, sensação de estar preso pelo outro, sensação de estar perdendo grandes oportunidade por causa do outro. Tudo isso também faz parte de Eros.

Philos é o amor amizade, o amor entre aqueles amigos que são para toda a vida, amor entre o companheiros de viagem, companheiros de armas, membros da mesma sociedade religiosa, mesma tribo. Philos pode ser sentido até mesmo por animais de estimação. Entre os casais com o passar do tempo, Philos também aparece. Os casais se tornam mais unidos, um começa a advinhar o que o outro pensa, eles começam a se comunicar com olhares, gestos. Em uma relação quando Eros falha ou fica apagado, é Philos que mantém os casais juntos.

Aristóteles disse que Philos é necessário como um meio para atingir a felicidade : “Ninguém escolheria viver sem amigos mesmo se tiver todos os outros bens.”

Ágape é o Amor total. O Amor que preenche, o Amor que devora. Ágape refere-se ao Amor espiritual ou “superior”, oposto a Eros, o amor “inferior” ou sexual. Ágape pode ser considerado como um Amor devocional de adoração, é o Amor que permeia e impele a criação. Ágape representa o amor divino, incondicional, com auto-sacrifício ativo, pela vontade e pelo pensamento.

“Quem conhece Ágape, vê que nada mais neste mundo tem importância, apenas amar. Este foi o amor que Jesus sentiu pela humanidade, e foi tão grande que sacudiu as estrelas e mudou o curso da história. Sua vida solitária conseguiu fazer o que reis, exércitos e impérios não conseguiram. – Paulo Coelho”

Ágape está em Eros, Philos e Fraternal. Ágape nos relacionamentos é o brilho nos olhos, é a sensação de leveza, é o que deixa o mundo mais colorido, mais belo.

Esses quatro amores podem ser sentidos por todos. E podem ser submetidos a nossa vontade. Podemos aprender a amar. Como eu disse no começo, você não acorda amando alguém. Como? Mais para frente eu conto. Afinal tenho que manter os meus dois leitores por aqui 😉